Jornal da Pastoral
O Bom Pastor não foge quando chega o lobo ...
09/09/2000 D. Irineu
A presente edição é uma homenagem especial a você que teve a coragem de enfrentar com a força que vem do alto, o que está sendo considerado a maior conspiração contra a vida humana, ou seja, a Dependência Química em todas as suas manifestações.
Por inspiração pessoal e também por múnus oficial recebido da CNBB, tenho procurado sensibilizar, articular, formar, multiplicar pessoas e instituições que possam assumir com coragem e criatividade esta luta que recebeu o nome de Pastoral da Sobriedade.
Muitos profetas e pastores nos precederam nessa luta. A Pastoral da Sobriedade não tem a pretensão de apresentar-se como sendo a única voz oficial da Igreja, apenas deu cobertura às iniciativas anteriores, promovendo intercâmbio, aprofundamento, troca de experiências, estímulo e, por fim, também algo de novo, através de subsídios e propostas para facilitar a criação de grupos de apoio ligados à comunidades paroquiais e com conteúdo que favoreça a partilha das riquezas da Igreja Católica a qual respeitosa da caminhada ecumênica, sem pretensões, apresenta integridade dos recursos da graça pascal.
Aos poucos, principalmente através dos cinco congressos regionais, muitas dioceses tiveram oportunidade de formar seus agentes e esses articularam com apoio de seus pastores, em nível nacional. Hoje, graças a Deus isso já é uma realidade ou seja, a Pastoral da Sobriedade possui sus representantes em todos os regionais, inclusive seus estatutos registrados, os quais aguardam, da Presidência da CNBB, um momento especial para aprovação, depois que os próprios estatutos da CNBB estiverem devidamente aprovados.
A Sobriedade precisa ser resgatada como virtude cristã que possui suas raízes bíblicas: “Sede sóbrios e vigiai”, bem como uma urgência neste mundo consumista e hedonista, onde a concorrência e o consumismo oferecem suas atrações e seduções de um lado e a miséria e a exclusão do outro. Sem Sobriedade não sobra nada para a partilha solidária e tão pouco para a formação de personalidades fortes, capazes de enfrentar as tentações da violência, corrupção, exacerbação sexual, enfim toda essa gama de iniqüidade que ameaça não só a vida humana, mas o próprio planeta azul.
Nada é demais quando é o Pai quem pede. Temos certeza absoluta que Ele nos interpela através de Cristo Vivo para sempre nessa luta, fazendo dos preteridos os preferidos.
Quem tem medo de morrer acaba morrendo de medo.
Bom mesmo é dar a vida por uma causa justa.
“O Pai me ama porque eu dou a vida pelos meus irmãos.”


Dom Irineu Danelon, SDB
Bispo Responsável


Lins, Páscoa do Senhor de 2002.
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