Jornal da Pastoral
Não soluce, solucione
30/03/2002 D. Irineu
Não soluce, solucione!

É muito comum para quem se sente acusado por problemas especiais, procurar subterfúgios, os mais diversos: dramatização, agressividade, choro, depressão, fuga, complexo de culpa ou de avestruz, escondendo os olhos diante dos perigos, fazendo de conta que tudo está bem, ou então assumindo atitude paternalista.
Só a verdade nos liberta. A mentira tem pernas curtas, pés sujos e nos aprisiona.
É comum encontrarmos pessoas, particularmente Pais, que se perdem perguntando: Onde erramos? E não conseguem tomar atitudes racionais, gastando todas as energias com afobação e preocupação. Costumo dizer que serram serragem, ou choram leite derramado.
Há tempo, cultivo uma fórmula pedagógico-pastoral: Passando sem ressentimento, presente sem confusão e futuro com esperança.
Os ressentimentos não resolvem nada.Tão pouco a afobação, ou qualquer manifestação esterilizante.
A pergunta fundamental que uso é sempre a mesma: Qual é o problema?
Uma vez delineadas as verdadeiras dimensões da problemática, como cristão, procuro uma iluminação com outra pergunta: Se Jesus estivesse em meu lugar, o que Ele faria? Peço as luzes do Espírito Santo e da Palavra de Deus. Entrego o problema ao Pai e me coloco a disposição, procurando sensibilizar pessoas que possam me ajudar, em primeiro lugar as mais competentes ou responsáveis.
Cheguei à conclusão de que por melhor que seja alguém, jamais poderá ser tão eficiente quanto todos nós unidos. O sujeito de uma solução adequada, quase sempre é a comunidade, incluindo as pessoas envolvidas na problemática.
As soluções devem ser classificadas em curto, médio e longo prazo, procurando ser pró-ativo, sempre vencendo o mal com a prática do bem maior, tendo presente o verdadeiro amor, como São Paulo nos descreve no capítulo 13 da primeira carta aos Coríntios: O amor é paciente, tudo suporta, não se ensoberbece, não se irrita, não se alegra com o mal. O amor jamais passará . Nunca termina. Rios de água viva brotam em nosso interior.
Cheguei também à conclusão de que além do nosso esforço, é preciso contar sempre com a graça de Deus e orar sem cessar, como recomendou Jesus. A pessoa que trabalha sem Deus jamais será capaz de dar o melhor de si. Dar o melhor de si envolve a doação total inteligente e com o discernimento que vem de Deus. Nada é demais quando é Deus quem pede. Pela graça de Deus, sou o que sou, afirmou Paulo. E a graça não foi estéril em mim. Mesmo que não consigamos resolver, é sempre muito bom sermos solidários e cultivar a paciência histórica. A árvore não faz barulho enquanto cresce. Agente não percebe que ela está crescendo, mas depois de algum tempo o crescimento torna-se evidente. O Reino de Deus é como uma semente...
Não soluce, solucione.
Dom Irineu Danelon
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