| Jornal da Pastoral |
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| Espiritualidade, Solidariedade e Sobriedade | ||||
| 29/12/2001 | Bispo Dom Irineu | |||
| Para cada serviço a ser prestado temos a necessidade de uma adequada capacitação. Quanto mais complexo e urgente, tanto mais precisamos articular uma equipe interdisciplinar. Antes de mais nada é preciso aprofundar a própria noção de Sobriedade. Ela é uma decorrência da espiritualidade e da solidariedade, ou seja, do amor para com Deus e do amor para com o próximo. A atitude pessoal de vida preliminar para uma autêntica espiritualidade e solidariedade é a sobriedade. Exige uma ruptura ao consumismo e materialismo modernos, concentrado a atenção sobre o bem comum e principalmente sobre os que vivem em condições de miséria ou de exclusão. Tem muito a ver também com a ecologia, porque a geração presente não pode desfrutar daquilo que pertence às futuras gerações. A sobriedade exige um combate à exaltação do dinheiro e do conforto, ao desperdício e à concentração dos bens nas mãos de poucos. Ela pede um estilo de vida na simplicidade. Pessoa sóbria é aquela que com sabedoria descobriu que para ser feliz não precisa de muitas coisas. Sobriedade significa, também, colocarmos à disposição dos outros o tempo, a atenção, o diálogo, a nossa cultura, dotes e carismas, à luz que Cristo nos oferece no seu evangelho. Sem sobriedade não podemos desenvolver uma vida espiritual e solidária autêntica e fecunda: “Sede sóbrios e vigiai”, essa não é apenas uma recomendação mas algo fundamental. Os agentes da Pastoral da Sobriedade precisam assumir um estilo sóbrio de vida, como um projeto global e não apenas como abstenção das drogas. Faz muito tempo que a sabedoria popular sintetizou essa verdade na expressão: “Tudo o que é demais, é sobra.” A sobriedade é decorrência da virtude teologal da temperança. Exige operosidade, jamais concorda com vidas descomprometidas com o bem comum e não se permite desfrutar injustamente dos bens, produto da dedicação dos outros. Enfrenta com coragem o calor e o frio, a sede e a fome, as fadigas e o desprezo toda a vez que se trate da glória de Deus e da libertação dos irmãos. Jesus tendo amado os seus que estavam neste mundo, amou-os até o fim. Tudo foi consumado, Pai nas tuas mãos, entrego o meu espírito . . . Quer maior sobriedade do que essa? Sede sóbrios e vigiai . . . Dom Irineu Danelon |
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