| Jornal da Pastoral |
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| Medicina: Alcoolismo | ||||
| 03/04/2006 | Dr. Higino Bodziak | |||
| Produto da fermentação de carboidratos (açúcares), o Álcool vem sendo utilizado pelo ser humano desde a mais remota antigüidade. O alcoolismo, causado pelo excesso no consumo do álcool é uma doença progressiva, crônica e fatal (OMS), caracterizada pela perda da liberdade de decisão sobre o ato de beber. O alcoolista ou alcoólico é aquele que passa a depender dele, não devendo ser designado de alcoólatra, pois tal termo significa adorador (gr. latreuein) do álcool não mensura mais as conseqüências do que virá depois, em que implicará ou a quem irá afetar. Já não mais consegue controlar sua ingestão. Passa a não ser mias um estilista social, esporádico, mas já começa a beber pela manhã, sozinho muitas vezes e não mais acorda sem os tremores nas mãos. Existe uma predisposição familiar. Alguns poderão bebê-lo de forma moderada, controlada, sem maiores problemas. Outros não poderão jamais tomar o primeiro gole. Uns tornam-se alcoolistas pelo aprendizado, outros já trazem latente essa possibilidade que basta ser despertada. A embriaguez, que é provocada pela presença excessiva de álcool no organismo, no início gera uma sensação de bem-estar, loquacidade (fala descontrolada), diminuição da crítica, alteração do humor (certo grau de agressividade), fala pastosa, diminuição dos reflexos, incoordenação motora, tonturas, visão dupla, náuseas e vômitos, incontinência urinária ou fecal, rubor, sudorese, taquicardia (aceleração do ritmo do coração), convulsões, insuficiência respiratória, queda de pressão arterial, podendo chegar ao coma (3 a 4 g/1, o que equivale a 600 ml de pinga ingeridos em custo prazo de tempo). Em caso de embriaguez moderada, tentar provocar vômitos, utilizando bicarbonato ou soro fisiológico e fornecendo à pessoa glicose (água com açúcar) e vitaminas (principalmente as do complexo B). Manter o indivíduo aquecido e hidratado. Em situações mais severas os cuidados médicos são imprescindíveis. ALCOOLISMO AFETA 15% DA POPULAÇÃO BRASILEIRA Principais bebidas alcoólicas: 1 dose de destilados – 50ml (whisky, pinga, vodka) álcool/gramas 40 a 50% = 20/25g álcool Un. Álcool: 2 – 2,5 1 copo de vinho – 90ml álcool/gramas 12% = 10g álcool / Un. Álcool 1 = 1 copo de chope – 50ml álcool/gramas 5% = 25g álcool / Un. Álcool 2,5 1 lata de cerveja – 350ml álcool/gramas 5% = 17g álcool / Un. Álcool 1,5 Nossa Legislação Brasileira (art. 306 do CTB) permite ao motorista uma concentração de até 0,6g de álcool/litro de sangue pois o organismo tolera até 1g de álcool/litro de sangue e acima disso já apresenta sinais de embriaguez. De 1,5g de álcool/litro de sangue a 3g de álcool/litro de sangue = embriaguez intensa De 3g de álcool/litro de sangue a 5g de álcool/litro de sangue = pode causar torpor e coma Acima de 5g de álcool/litro de sangue = pode ser fatal Na dependência da quantidade ingerida 920g na mulher e 40g no homem/dia) pode ocorrer o início de uma doença hepática, tanto mais grave quanto maior for o tempo de uso, associado também a fatores genéticos, grau de nutrição, etc... O fígado é o órgão mais antigo, pois o etanol é ali metabolizado. O alcoolista precisa, em geral, da reposição, principalmente geral, da reposição, principalmente, de cloreto de potássio, magnésio, zinco, glicose, vitamina A, B, K e ácido folínico. 93% da causa pancreatite crônica em jovens, estão associados ao consumo de álcool importante e prolongado, também provocando dor abdominal, perda de peso, icterícia, diabete, cirrose, hemorragia digestiva etc. Pode ocorrer polineuropatia sensitivo/motora (comprometimento de muitos nervos), principalmente dos membros inferiores, caracterizada por dor e parestesia (amortecimento). À noite principalmente até o peso do lençol pode causar dor. A Síndrome de Abstinência (sinais e sintomas) que o alcoolista apresenta 6 a 8 horas após a parada da ingestão do álcool manifesta-se principalmente por tremores das extremidades, alterações gastrintestinais, modificação do sono e inquietação. Em casos graves podem ocorrer alucinações e taquicardia, febre e convulsões. Em casos muito graves (delirium tremens) além dos sintomas anteriores pode-se apresentar tremores generalizados e perda da orientação quanto ao tempo e espaço. Quase todos necessitam de medicação psicotrópica e a hidratação é importantíssima. As 72 primeiras horas são críticas e necessita-se de acompanhamento criterioso, sendo o período médio de 45 dias o tempo necessário para uma desintoxicação. O alcoolismo, portanto, é doença e seus portadores necessitam de tratamento, de ajuda, e também da responsabilidade de todos nós que podemos, de diferentes formas intervir nesse processo, quer atuando diretamente na recuperação e no resgate da dignidade dessas vidas preciosas ou quer indiretamente, através de uma atuação política concreta, cobrando a obediência de nossas leis, que são justas, mas que precisam ser cumpridas. |
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